Como medir a qualidade da água: pH, TDS e mais

Por Fabricia Rio Branco14 de setembro de 20266 min de leitura
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Como medir a qualidade da água: pH, TDS e mais

Você já viu aqueles aparelhos pequenos que são colocados dentro de um copo de água e, em poucos segundos, mostram um número no visor? Eles podem medir parâmetros importantes. Mas existe uma diferença enorme entre medir um parâmetro da água e avaliar a qualidade da água.

Essa diferença é importante porque muita gente compra um medidor de pH ou TDS acreditando que ele será capaz de dizer se a água está própria para consumo. Não é assim que funciona. Não existe um único número capaz de dizer se uma água é "boa" ou "ruim". A avaliação da qualidade depende do uso pretendido, dos parâmetros analisados, da coleta, do método utilizado e da interpretação dos resultados.

O que significa qualidade da água

A resposta depende de uma pergunta anterior: qual é o uso dessa água? Uma água pode ser inadequada para determinado uso e ainda ser utilizada para outro.

A própria ANA destaca que a interpretação da qualidade da água deve considerar o uso pretendido. O Índice de Qualidade das Águas (IQA), por exemplo, foi desenvolvido para avaliar água bruta destinada ao abastecimento público após tratamento convencional, e possui limitações. Por isso, falar simplesmente que uma água é "boa" ou "ruim" pode ser uma simplificação perigosa.

O que é pH

O pH indica uma característica relacionada à acidez ou alcalinidade da água. É um parâmetro muito utilizado em análises ambientais e no acompanhamento de diferentes sistemas.

Mas atenção: pH adequado não significa automaticamente água potável. Uma água pode apresentar um pH dentro de determinada faixa e ainda possuir contaminação microbiológica ou química. É por isso que o pH é apenas uma parte da avaliação.

O que é TDS

TDS significa, em inglês, Total Dissolved Solids, ou sólidos dissolvidos totais. Medidores de TDS são muito populares porque são baratos, rápidos e fáceis de usar.

Mas existe uma pegadinha: TDS não diz exatamente quais substâncias estão dissolvidas na água. Uma leitura elevada pode indicar maior concentração de sólidos dissolvidos, mas não informa, sozinha, quais são essas substâncias nem se elas representam um risco à saúde.

E a condutividade elétrica

A condutividade elétrica está relacionada à capacidade da água de conduzir corrente elétrica, que por sua vez é influenciada pela presença de espécies iônicas dissolvidas. É um parâmetro muito utilizado no monitoramento ambiental, e a ANA o inclui entre os parâmetros que podem ser monitorados em determinados contextos de qualidade da água. Mais uma vez: um parâmetro isolado não conta toda a história.

E a turbidez

Turbidez está relacionada à presença de partículas que interferem na passagem da luz pela água. Uma água muito turva pode indicar a presença de material particulado.

Mas também existe uma informação importante aqui: água transparente não significa necessariamente água segura. A própria Funasa alertou que aparência, transparência e ausência de odor não são suficientes para determinar se uma água é própria para consumo.

Então como saber se uma água é potável

Para água destinada ao consumo humano, existem padrões específicos de potabilidade. No Brasil, a referência regulatória deve ser consultada na norma vigente do Ministério da Saúde. A avaliação não depende apenas de pH ou TDS.

Entre os parâmetros que podem ser considerados estão:

  • Microbiológicos
  • Físicos
  • Químicos
  • Substâncias específicas
  • Características relacionadas ao tratamento e distribuição

A vigilância da qualidade da água para consumo humano utiliza, entre outros, parâmetros como coliformes, Escherichia coli, cloro residual livre, turbidez, cor, fluoreto e pH.

Um medidor doméstico consegue dizer se a água é potável

Não, e esse é provavelmente o ponto mais importante deste artigo. Um equipamento doméstico pode ser muito útil para determinada finalidade, mas ele não substitui uma avaliação completa quando a pergunta é "essa água é segura para consumo humano?". Para essa resposta, é necessário considerar os parâmetros adequados, a coleta e os métodos analíticos.

A Funasa, por exemplo, descreve o monitoramento da qualidade da água para consumo humano envolvendo coleta e análise de amostras para verificar atendimento aos padrões de potabilidade.

Para que servem esses medidores, então

Eles podem ser úteis para:

  • Acompanhamento de determinados parâmetros
  • Aulas e atividades educativas
  • Aquicultura e hidroponia
  • Determinados processos de tratamento
  • Monitoramentos específicos
  • Acompanhamento de alterações ao longo do tempo

O segredo é entender qual pergunta o equipamento consegue responder.

Uma leitura alta significa contaminação

Não necessariamente, e essa é outra conclusão precipitada que deve ser evitada. Imagine que você mediu TDS e encontrou um valor elevado. O resultado não identifica automaticamente metais, bactérias, agrotóxicos, solventes, combustíveis ou outros contaminantes específicos. Da mesma forma, uma leitura baixa não garante ausência desses contaminantes.

O que eu observaria como engenheira ambiental

Eu começaria pela pergunta: "o que preciso descobrir?". Se a finalidade é apenas acompanhar uma determinada variável, um medidor simples pode ser suficiente. Se existe suspeita de contaminação ou necessidade de comprovar qualidade, a estratégia é outra.

Nesse caso, é preciso definir objetivo da avaliação, ponto de coleta, parâmetros, método, frequência, laboratório quando aplicável, e interpretação dos resultados. Essa é uma diferença importante entre comprar um equipamento e realizar uma avaliação ambiental.

Conclusão

Medidores digitais podem ser ferramentas muito úteis. O problema começa quando eles prometem responder uma pergunta que não conseguem responder. pH não é potabilidade. TDS não é potabilidade. Condutividade não é potabilidade. Água transparente também não é sinônimo de água segura. Qualidade da água é uma avaliação muito mais ampla.

Perguntas frequentes

Um medidor de TDS barato serve pra saber se posso beber a água?
Não. TDS mede a quantidade de sólidos dissolvidos, não identifica quais substâncias são essas nem se representam risco à saúde. Pra saber se a água é potável, é preciso avaliar parâmetros microbiológicos e químicos específicos, não só TDS.

Se a água está com pH normal, já posso considerar segura?
Não. Uma água pode ter pH dentro da faixa esperada e ainda ter contaminação microbiológica ou química que o pH sozinho não detecta.

Água transparente e sem cheiro é sinal de que está segura?
Não necessariamente. A Funasa alerta que aparência, transparência e ausência de odor não são suficientes para garantir que uma água é própria para consumo.

Então pra que serve comprar um medidor doméstico de pH ou TDS?
Serve para acompanhamento de parâmetros ao longo do tempo, aulas, aquicultura, hidroponia e monitoramentos específicos, não como prova de potabilidade.

Fontes e referências

  • Ministério da Saúde — Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano (Vigiagua). gov.br/saude
  • Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico — Índice de Qualidade das Águas (IQA). Portal da Qualidade das Águas (ANA)
  • Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico — Qualidade da água. gov.br/ana
  • Funasa — Água transparente é sempre segura para beber? gov.br/funasa

Observação editorial: os exemplos apresentados não substituem análise laboratorial ou avaliação profissional quando houver suspeita de contaminação ou necessidade de comprovação de qualidade.

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Escrito por

Fabricia Rio Branco

Engenheira ambiental, CEO da FRTB Consultoria Ambiental e mais de 12 anos de experiência com licenciamento, gestão ambiental e energia solar. Saiba mais

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