Minuto Ambiental

Fio B a 60% em 2026: o que muda de verdade na conta de quem tem energia solar

Por Fabricia Rio Branco09 de setembro de 20263 min de leitura
Fio B a 60% em 2026: o que muda de verdade na conta de quem tem energia solar

Se você instalou energia solar depois de janeiro de 2023 ou está pensando em instalar agora, 2026 é o ano em que a conta muda de verdade. A cobrança do chamado Fio B chegou a 60% da tarifa, o maior degrau do cronograma da Lei 14.300. Vale entender o que isso significa antes de ler qualquer proposta de instaladora.

O que é o Fio B

Quando você gera energia solar em casa e injeta o excedente na rede, você está usando a infraestrutura da distribuidora (postes, cabos, transformadores) como se fosse uma bateria. O Fio B é a parcela da tarifa que remunera essa infraestrutura. A Lei 14.300, o Marco Legal da Geração Distribuída, definiu que quem gera energia também precisa pagar por usar essa rede.

O cronograma até 2029

A cobrança do Fio B não foi ligada de uma vez. Ela sobe ano a ano: começou em 15% em 2023, foi para 30% em 2024, 45% em 2025 e, a partir de janeiro de 2026, chegou a 60%. O cronograma segue subindo até estabilizar no fim da década.

Quanto isso pesa de verdade

O número "60%" assusta, mas é importante saber sobre o que ele incide. Os 60% se aplicam ao componente Fio B, que vale por volta de R$ 0,12 por kWh em distribuidoras de referência, e não sobre a tarifa cheia de energia. Ou seja, a mordida real é uma fração de uma fração da conta, não 60% da economia toda.

Na prática, um sistema que antes zerava quase toda a conta agora deixa um resíduo maior a pagar. O payback (tempo para o sistema se pagar) aumentou alguns meses em relação ao cenário de 2022, mas na maior parte do Brasil a energia solar continua se pagando dentro de 4 a 7 anos, contra uma vida útil dos painéis de 25 anos ou mais.

Quem escapou: o grupo GD I

Existe uma divisão importante. Quem protocolou o pedido de conexão do sistema até 6 de janeiro de 2023 entrou no grupo GD I e tem direito à compensação integral, sem cobrança de Fio B, garantida até 2045. Quem protocolou a partir de 7 de janeiro de 2023 está no GD II e segue a tabela progressiva.

Se você comprar um imóvel que já tem sistema solar, vale confirmar em qual grupo ele está: isso muda o valor da conta e faz parte do valor do imóvel.

Ainda vale a pena instalar em 2026?

Na maioria dos casos, sim, mas a conta ficou mais sensível ao dimensionamento correto e à qualidade da instalação. Com o Fio B pesando mais, superdimensionar o sistema (gerar muito mais do que se consome) passou a fazer menos sentido, porque o crédito excedente rende menos. Dimensionar certo, de acordo com o consumo real, virou a parte mais importante do projeto.

Perguntas frequentes

O Fio B é cobrado sobre toda a energia que eu gero?
Não. Ele incide sobre a energia que você injeta na rede e depois compensa, não sobre a energia que você gera e consome na hora.

Vale a pena adiar a instalação esperando alguma mudança na lei?
Cada ano de espera é um ano pagando conta cheia, e o cronograma do Fio B sobe justamente com o tempo. Adiar normalmente não compensa.

Bateria resolve o problema do Fio B?
Armazenar a energia em bateria em vez de injetar na rede evita o Fio B sobre aquela parcela, mas o custo da bateria hoje ainda costuma ser maior do que a economia gerada, na maioria dos casos residenciais.

#energia solar#Lei 14.300#Fio B#conta de luz
FR

Escrito por

Fabricia Rio Branco

Engenheira ambiental, CEO da FRTB Consultoria Ambiental e mais de 12 anos de experiência com licenciamento, gestão ambiental e energia solar. Saiba mais

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